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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

Diário de um ecologista

Nenhum homem decaiu no meu conceito por ter um remendo na roupa, mas tenho a certeza de que as pessoas têm maior preocupação em andar na moda do que em terem a consciência tranquila. Se acontece alguma acidente em que se rasga um pouco das calças, estas já não servem mais, porque nos deixamos levar não pelo que é respeitável, mas pelo que é respeitado. Uma questão interessante: até  até que ponto os homens manteriam a sua posição social  caso andassem despidos? Acaso alguém poderia apontar, numa situação dessas, com segurança, num grupo de pessoas civilizadas, quais as que pertencem à classe privilegiada? Só aqueles que frequentam as recepções oficiais carecem de casacos novos, para poderem trocá-los amiúde consoante a sua natureza de vira-casacas. Por isso vos digo: cuidado com os empreendimentos que exigem roupas novas em vez de novos usuários. Se não há um homem novo, como podem as roupas novas ajustar-se a ele? Todos os homens desejam não um trabalho como meio de vida, mas como finalidade, como realização. É por isso que quase toda a gente se sente irrealizada, ao dedicar a sua vida àquilo que é supérfluo não às coisas que lhe possam dar satisfação espiritual. Talvez não devêssemos procurar um traje novo, por mais esfarrapado que estivesse o velho, a não ser quando, tendo batalhado de algum modo nos sentíssemos como homens novos dentro de roupas velhas.

Créditos - adapatado de Walden de Thoreau

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