Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

folhasdeluar

folhasdeluar

Dias inacabados

Cheguei à vida imaginando que o meu tempo era infinito

Que os meus pés que pisavam a areia

E se molhavam no espelho das praias

Eram os cúmplices que eu precisava para a viagem

Que os reflexos dos navios amavam o infinito da gaivotas

E os solstícios que vagueavam rente às ondas

Eram a textura dos dias inacabados

E havia uma linha por onde a luz se escoava

Um apito de vento que caía sobre as ondas

Uma planície feita de sensações e chão carregado de sinais

Espero ainda que o mar me traga a página em branco

Que um bando de andorinhas-do-mar permaneça junto às falésias

Para eu ter a ilusão de ser feito de penas e asas

De voar pelos recantos

Onde o reflexo das palavras possua a geometria da solidão

E me explique os pressentimentos do tempo

A medida inodora do silêncio

A escala da alma perante o branco caiado das paredes

É tão longa a sombra da azinheira

É tão grande um rosto sem nome

Que entre medir o tempo e viver

Há um dislate de que se agarra aos corpos

Como um olhar que olha sempre em frente

E não vê vivalma...

6 comentários

Comentar post