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folhasdeluar

Poesia e cenas do quotidiano

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Discurso sobre a Servidão Voluntária -parte 2 - dedicado a Alexei Navalny

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Neste florido mês de Abril, nesta Europa e neste Portugal onde a extrema direita ganha terreno, vou transcrever partes do mais belo livro jamais escrito sobre a liberdade.Trata-se do Discurso sobre a Servidão Voluntária, escrito por Etienne da La Boétie (1530-1563) e dedicado a Alexei Navalny e a todos os que lutam e lutaram contra as ditaduras. E é assim:

(Continuação)

"Se fosse difícil recuperar a liberdade perdida, eu não insistiria mais; haverá coisa que o homem deve desejar com mais ardor do que o retorno à sua condição natural, deixar, digamos, a condição de alimária e voltar a ser homem?

Como pode alguém, por falta de querer, perder um bem que deveria ser resgatado a preço de sangue? Um bem que uma vez perdido, torna, para as pessoas honradas, a vida aborrecida e a morte salutar?

Mas parece que vos sentis felizes por serdes senhores de metade do que é vosso, das vossas famílias e das vossas vidas; e todo esse estrago, essa desgraça, essa ruína provém afinal não dos inimigos, mas de um só inimigo, daquele cuja grandeza lhe é dada só por vós, por amor de quem marchais corajosamente para a guerra, por cuja grandeza não recusais entregar à morte as vossas próprias pessoas. Criais filhos a fim de que ele, quando lhe apetecer, venha recrutá-los para a guerra e conduzi-los ao matadouro, fazer deles acólitos da sua cupidez e executores das suas vinganças.

Tomai a resolução de não servirdes  e sereis livres. Não vos peço que o empurreis ou o derrubeis, mas tão somente que não o apoieis: não tardareis a ver como , qual Colosso descomunal, a quem se tira a base, cairá por terra e se quebrará.

Uma coisa é claríssima na natureza, tão clara que a ninguém é permitido ser cego a tal respeito, e é o facto de a natureza, nos ter feito todos iguais, com igual forma, aparentemente num mesmo molde, de forma a que todos nos reconhecêssemos como companheiros ou mesmo irmãos. Não importa verdadeiramente discutir se a liberdade é natural, provado que está ser a escravidão uma ofensa para quem a sofre e uma injúria à natureza que em tudo quanto faz é razoável."

(Continua)

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