Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

folhasdeluar

folhasdeluar

Do fundo de mim

Estou de frente para o vazio áspero do mar

No céu vê-se um segredo de chuva a empoeirar o ar

Bebo toda aquela fantasia manchada pela luz difusa da manhã

E vejo os teus olhos pálidos a erguerem-se da bruma que sufoca a luz

Ostentas lágrimas de nevoeiro denso

Caminhas por dentro da minha imagem... parada no exílio da manhã

Eu falo-te das vagas azuis

E sem esforço...vejo o infinito a amontoar-se num lago de sol

Pasmo...é a primeira vez que vejo os despojos da luz

A crescer nu mar...como uma muralha efervescente

E vejo na circulação fria dessa luz..uma circulação de sons inacabados

Como se fosse uma ária interpretada por ninfas mudas... sentadas...

Perpendiculares a todas as marés

Do fundo de mim ergue-se uma gaze preta

Que me tapa os olhos e os sentimentos

Sinto-me a descer...lentamente...por entre uma floresta de avenidas verticais

Sou agora um curso de água na deriva do meu caos

Sou uma inflamação de rostos inocentes

Que caminham debaixo de um calor tórrido

Depois... apago-me...como um estore laminado que se fecha

A todos os olhos que não me vêem.

 

 

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.