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folhasdeluar

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É doce o veneno que bebemos

É doce o veneno que bebemos num sonho feito de luz exótica

 

Como uma saudade deambulante.... uma luz grávida

 

Quimera de muros orgulhosos...infinito poço sem nome...

 

Profundo como um espasmo de amor...que executa a dança de uma Vida inteira...

 

Nascimento de rio num sonho que se expulsa..dolorido...

 

Impregnado de um perfume feito de giestas em flor...magra consolação...

 

Enrolada em mares feitos de pedras preciosas...cercadas por muralhas espessas...

 

Tornando-se tão pequeno que reservamos o nosso regresso assim que nascemos...

 

Barriga de sol e lua...pessoa elíptica curvada sobre um destino sem nome...

 

Como um quarto escuro aconchegado num Tempo que rivaliza connosco...

 

Que não nos acode...que nos expulsa..como um delírio sobre um caminho sem fim...

 

Jornada sem dono...mundo sem casa...

 

Luz que nasce inteira sobre um caminho condenado...

 

Desembaraço nocturno de dança africana...ancas e corpo num frenesim vazio...

 

Ancestral regresso a um tempo que conhecemos...dolorido e pantanoso..florido e seco...

 

Um tempo vivo...como um ventre de mulher crescendo na noite redonda....