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folhasdeluar

A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

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A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

Eco interior

Para onde vais vaga que o vento afaga?

Para onde escorre essa geometria de cinza alada?

Bocal de perfume esfacelado

A invocar a passagem dos dias

Função de planta transparente

A gravar-se nas arestas dos olhos

Mar a invocar céus...

Perante a enormidade da respiração dos sonhos

 

No meu interior cresce o asfalto ferido das cidades

Na minha alma desenham-se traços de régua e esquadro

Enquanto o cio do vento

Lambe os pedaços que caem dos meus passos

 

No anoitecer que respira na clausura da aurora

Os corpos ardem como espelhos fascinados

As estradas são o íman que atrai a perdição das luzes

O sonho é o incómodo de si próprio

Um mar de violetas a engolir jardins

Uma passagem que transpira no fundo da dor

Tão forte...como uma porta de luz entreaberta

Para o desencanto da neblina

 

Todos os corredores que percorri

Me levaram ao desencontro das memórias

Todos os perfumes são difusas estrelas

A desafiar a lentidão das noites

Onde cresce uma tosse amarga

Que fala de vinho e ausência

Que engole a luz das cidades

Com uma raiva cíclica

Como se fosse um cometa de âmbar

A desafiar a perenidade da alma.

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