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folhasdeluar

A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

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A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

Em torno de uma luz eterna

Passeamos pela aguda mordedura dos dias

Disfarçados de almas quentes

Exibindo um brilho acetinado

Somos carrascos de nós

Vestindo um apertado fato de bom corte

Desafiamos a nossa razão

Perante a navalha afiada numa laje fria

Como se enfrentá-la fosse uma libertação

Ou um grito voraz do nosso interior

Desesperamos com a sua mordedura impiedosa e...

Vagamente flutuamos nos seus lábios roxos

Somos como vómitos de uma prisão arrepiada

Por uma teia de gelo

Que pende do nosso corpo

Somos farrapos de um mendigo sem nome

O coração abala-nos o peito frouxo....e nós...

Enrolamos os olhos em convulsões de pedra

Para que não vejamos as sensações

Nem os passos obcecados pela luz

Enroscamos o nosso espírito insano numa fenda profunda

Que cavámos como se fosse um berço de amor

Ou uma conjectura sulfúrica

Onde os arrepios da alma nos agudizam os sonhos

Perdemo-nos em imagens fantásticas

Em leitos estremecidos...em lúgubres prisões

Perdemo-nos em corpos plenos

E surpreendentes como demónios

Perdemo-nos imaginando que as nossas narinas

Sustentam gritos perfumados

E o resultado de tudo isto

É um ferrete que nos marca sinistramente os passos

Passos consagrados a uma tempestade de fogo

Que não nos alimenta...

Mas que nos gela as paredes incoerentes dos dias

E que sobe pelas paredes do nosso poço

Onde um secreto trovão explode

Sobre uma sólida pintura de sangue escorrente..

Que o nosso peito marcado por um ferro em brasa

Teima em exibir...

Como se fosse um bálsamo condensado

Em torno de uma luz eterna...

 

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