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folhasdeluar

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Vastidão

Construímos enfáticas estéticas. Cumprimentamos os privilégios e os privilegiados. Desvendamos os segredos das sínteses e das sintaxes. Procuramos ser o melhor dos mundos. Como pêndulos arcaicos e arautos de novas fés. Construímos oráculos e procuramos ruturas. Entre nós e as nossas emoções há um interregno de catarro. Um alastramento de alegria patética. Uma fórmula de aroma delicado. Desconhecido. E entre uma ilha deserta e um bago de sal...escolhemos ser o pé que se afunda na areia.

 

Vivemos na luminosidade cansada das esperas. Esperamos a vastidão imensa do mistério. Vivemos na sabedoria da esperança. E no espírito do desconhecido. Somos o concerto vazio. A sala despovoada. Estamos debaixo da chuva que a todos encharca. Desprotegidos e vacilantes. Gelados. Enjoados. Somos a folha de caracteres borrados. A folha que não arrancamos porque pensamos que podemos ter ali algo de bonito. E somos bonitos. Fumegantes. Basta-nos um pequeno espaço para expurgarmos a nossa bílis. Vestidos de negro aplaudimos a correcta distribuição da luz. Fazemos esforços. Para decifrar os outros. Para rebobinar os pensamentos. Para perdoar os atrasados. Para ganhar uma medalha de ouro...fingido. E por entre empurrões e olhos vermelhos lá nos vamos safando de quem nos quer ver ...sem ver.