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folhasdeluar

A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

folhasdeluar

A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

Estamos sós

Estamos sós

Profunda e desesperadamente sós

Somos tecidos no tear da solidão

Hilariantes como crianças

Inconfessáveis como longos desejos

Cheirando as ressonâncias da vida

 

Todos os dias são um penhasco rígido

Um novo sonho...uma nova aurora

Crescemos agarrados à gratidão do sol

Crescemos impressos em emoções

Juízos...tédios...obras de arte

Não compreendemos a grandeza da paciência

Nem a leveza inglória da claridade

Cheiramos levemente a vida...de longe

A vida que emana um forte odor

Mas não nos aproximamos dele

Temos medos...

Medo das aparências

Medo da grandeza do universo

Medo da inacessibilidade do tempo

E assim medramos… mirrados e inefáveis

Surpreendidos por escuras emoções

Somos árvores sangrando seiva vermelha

Cães com cio de vida...inconscientes

Aguardando o nascimento da hora do entendimento

Como quem espera um parto prolongado

Um parto que nos faça perceber

A nossa existência misteriosa...

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