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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

Estórias do diabo

Um estudante está em dificuldades financeiras. O diabo aparece-lhe e oferece-lhe uma enorme quantia se tudo o que se encontrar no pequeno quarto onde estão passar a pertencer-lhe. O homem concorda, pois o que ele possui - um espelho rachado, uma velha cama desconjuntada, uma antiga espada e algumas outras velharias - tudo isso o diabo pode bem levar. Mas este pede-lhe que se olhe ao espelho, nessa altura o demónio faz sinal à imagem ali reflectida, a qual desaparece e segue-o. O estudante não se inquieta por aí além; no barbeiro achava aborrecido não se conseguir ver ao espelho, mas a perda da sua imagem, não lhe traz muitos dissabores. Entretanto o homem ficou noivo e teve um conflito com um dos parentes da sua noiva. Um duelo foi marcado e ao homem, esgrimista exímio, o futuro sogro pediu que não matasse o adversário.Naturalmente, o noivo dá a sua palavra de honra de que só lhe faria uma arranhadela. Chegado o dia do duelo, ao dirigir-se ao local combinado, fora da cidade, uma roda da carruagem partiu-se; teve que prosseguir a pé, pelo meio do bosque; estava atrasado e isso irritava-o. Um bocado antes de chegar, viu alguém, que vinha ao seu encontro com uma espada na mão. Aproximou-se e verificou que era um seu sósia a enxugar com erva uma espada a pingar sangue. Num relance, teve a intuição do que sucedera. Precipitou-se na clareira. O duelo já se realizara e o adversário jazia morto, banhado em sangue. Assim faltara à sua palavra. Porquê? Porque vendera a sua imagem ao diabo.

Por isso é sempre bom saber por onde anda a nossa imagem, não vá o diabo tecê-las.

Créditos - O estudante de Praga - filme de 1913

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