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folhasdeluar

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Estrondo

Sobre a minha noite...um fósforo. Dentro da minha alma...uma bússola que perdeu o norte. Na minha mão...um pedaço de poesia. Depois...há fenómenos que não percebo. Coisas inverosímeis. Liturgias de peixes dourados. É fácil ver o que queremos. É tão fácil imitar um pirilampo ou uma enguia eléctrica. A primeira vez que vi um Van Gogh quase chorei. Mas só depois é que o percebi. É assim. Sou assim. Até mesmo com as máscaras que se vestem de pessoas.

 

Fecho-me em compartimentos. Num sou uma fotografia. Noutro sou um espelho. Noutro ainda sou uma alga à deriva. Às vezes sou um estrondo. Wagner ecoa em todos os meus poros com a sua cavalgada. Mas não me parece que possa extrair grande coisa da maioria das pessoas. Há pessoas que são palavrões. Outras...grandes florestas. E neste circo de centopeias tudo serve para me distrair.

 

Invento acontecimentos. Tenho premonições. A vida está em saldo...então não compro. Quero uma vida cara. Assombrosa. Uma vida que silve como uma cascavel...ou como uma exaustão. Não peço que me resgatem. Só peço que me deixem cair em tentação. Desobedeço ao sinal vermelho. A vida é um totem amparado em duas bengalas.

 

Corro até ao mar. Se não o encontrar é porque ele se encontra noutro lado. Não há proporções para o mar. Não há cores para quem se perde. E se na palma da minha mão nascer um perdão. Então é porque renasci. Desabrochei em cores impassíveis. E encontrei o caminho desnecessário para a noite.