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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

«eu só quero ser feliz»

Um destes dias ouvi alguém a comentar com outra pessoa: «eu só quero ser feliz». Esta frase levou-me a pensar sobre qual é o sentido de felicidade e também o sentido desta frase. Parece-me que quem pronuncia a necessidade de obter este sentimento, (porque se trata de um sentimento) não sabe o que é a felicidade. Acho mesmo que as pessoas pensam na felicidade de uma forma mercantilista. Como se ela se pudesse comprar ou encontrar ao virar de uma esquina. Ser feliz é um dos sentimentos mais fáceis de realizar, e, por ser tão fácil é uma coisa imensamente difícil de sentir. Sentir-se feliz é algo como uma luz e um abismo. Uma secreta festa ou um jardim feito de luar. A felicidade não se encontra no fundo de uma taça, mas também a podemos beber, comungando com a perfeição dos dias e mesmo com a sua imperfeição.

 

Há dois tipos de felicidade. A exterior e a interior. A exterior é a que nos é dada por aquilo que obtemos. É essencialmente feita do efémero. Assim que conseguimos algo que queríamos muito, ficamos felizes. Mas essa felicidade desaparece no minuto seguinte, já que o prazer obtido resulta sempre no desprazer. Só queremos aquilo que não temos. A outra felicidade, a verdadeira, essa é que é difícil de obter,  porque temos que a encontrar no nosso ser  mais profundo. É a felicidade interior. Essa felicidade não resulta da posse de nada, pelo contrário, resulta do desapego às coisas que só nos aprisionam. Às coisas fúteis e volúveis com que enchemos as nossas vidas. Às coisas falsas com que nos vamos enganando. É por isso que a felicidade verdadeira, a que está ao alcance de todos, provém das coisas simples. Essa felicidade resulta da compreensão do todo. Da maravilha que é o nosso corpo, a natureza, o universo, e de como tudo está em comunhão. É o entendimento e a sacralização da vida.  A imensa maravilha do mar e do vento. Os pássaros os planetas e as flores. A fantástica harmonia de todas as coisas. A clarividente manhã que nos acorda. O manto de nuvens que nos traz a água. O eco de um sorriso ou a diluição do olhar no verde da floresta. A felicidade essa que todos procuram, bebe-se no requinte do pôr de sol. Acompanhada pela ondulação de um frágil perfume  que acompanha a  brisa que nos sopra à alma o segredo mais bem guardado e mais conhecido: a felicidade provem de estarmos gratos à vida.

Entretanto deixo  a pergunta: qual destas duas felicidades procuramos?

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