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folhasdeluar

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Falemos das coisas que nos embalam

Falemos das coisas que nos embalam. Dos discos e dos livros. Dos matizes da escuridão. De um peixe vermelho a nadar num aquário de fumo. Por vezes ouvimos coisas. Acreditamos em coisas. Frases ou suspiros de gente sem rumo. E vemos as faíscas que as pessoas fazem quando se perdem nas metáforas.

 

Ao nosso lado está uma chave. Na nossa mão o sono disfarçado de um louco. Viver um dia...é admirável. Viver um século é viver uma sucessão de dias.

 

Não há lógica nos ritos nem nos símbolos. Não há estética no sono dos esquecidos. Somos o peso de uma vontade. Somos a palavra elementar que aquece o nosso próprio desamparo. Mas vale sempre mais sermos nós. É sempre melhor tocar a inércia das tardes. Não andar com passos hesitantes. Não divinizar os mistérios. Conhecer o opúsculo do mundo. E se reparamos que ninguém repara em nós...é porque ainda temos a alma inteira.

 

Não é grave fingir. Não é grave expôr a face aos ventos. Não é grave atingir aquele ponto em que somos apenas o baixo-relevo dos dias. E sentimos a febre ansiolítica de um céu pequeno. Nunca nos faltam oportunidades. Nem para a mordedura das cobras. Nem para o aborrecimento da consciência. Mas o melhor é sermos o cansaço carnal do vácuo. Seguindo numa liteira enfeitada com absurdas sensações de tédio.

 

Nada está mais alto que a luz. Nada é mais forte que as nossa algemas. Viver é sentir. E o nosso esforço para tocar nos outros é o que nos quebra as amarras. Isso e o desdobramento do universo em múltiplos mundos que nos entram na casa dos sonhos.

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