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folhasdeluar

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Fénix

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É necessário que escutemos obscuras canções. Que procuremos frenéticas palavras. Que mordamos a noite que jaz nas almofadas. É urgente que arranhemos crepúsculos. Que nos confundamos com papel de parede. Que nos agarremos aos instantes. É necessário perceber as verdades e as recordações. Ler Laxness. Descobrir o segredo de Joe Gould. E por favor, reconciliar-nos com tudo o que se mexe debaixo do sol.

 

E tudo é importante. As perfeições e as imperfeições. As míticas reconciliações. A metamorfose de Kafka. É preciso que entre os ombros e os soluços as mãos arranquem murmúrios às estátuas. Que das montanhas escorram águas. E que a morte rasgue as dunas. Que as estrelas estalem. Que o mar cubra os céus. E que as putas tenham no olhar as mais nítidas constelações. Sim, tudo é importante. A pele e os sacrifícios. E um caudal de amor a esvaziar-se...lentamente.

 

É é preciso perceber que a liberdade não se bebe. Que um ventre se rasga. E que a felicidade tem uma face magnifica e outra que cheira a corpo nu. E é preciso lembrar das escuras noites. Dos pirilampos. E da absoluta necessidade de um sorriso. É preciso pintar a consternação do espaço. Salivar e curar as vergastadas deixadas por inimagináveis palavras. E depois...acordar com o balanço de uma cama de rede num largo onde um circo montou a tenda. Dialogar com as ruas. Ser a Fénix de cada esquina. E nunca...mas nunca...descartar a possibilidade de um dia estrangular a veia mais funda...do tédio.