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folhasdeluar

A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

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A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

Futilidades

Sou fútil e vago

Tenho a naturalidade do frio

E a recordação de que a existência

É uma pintura sem memória

Não me prendo às distâncias

Não tenho a grandeza das velas no alto mar

Não vivo os acontecimentos

Sou como uma falsa máscara...livre e disponível

Por vezes...

Sou banhado pela luz suave da doçura

Depois..subjugo-a com um encanto agreste

Com inocência...para que se afasta de mim

Sou inconfiável como um dia arrependido

Sem grandeza nem momentos simples

Capturo no ar os ventos que me afastam de ti

Segredo-lhes mentiras

Para que acredites que a verdade é feliz

E que a tristeza não é mais que poesia

Compreendo que não queiras vogar num mar indeciso

Nem te queiras debruçar sobre o irreal

Tendo a embriaguez do perigo por companhia

Nada é ...daquilo que o horizonte irrealmente mostra

Tudo é uma miragem

Que só enfrenta quem tem a coragem dos desencantados

Que só enfrenta quem não tem mais por onde fugir

Ou para fechar os olhos e ver fluir os dias

Sem enjoos nem volúpias

Ou quem não quer atingir o cume

E ver que para lá há mais cumes...infinitos cumes

Cumes amaldiçoados por prazeres

Como ópios que entoam músicas invencíveis

E dormem com sobrenaturais poemas fluidos

Que se abrem como flores

Sobre a minha inconfiável e vaga futilidade...

 

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