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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

Homens verdadeiramente cegos

Para que a sociedade não se esboroe, é preciso um princípio de coesão, por conseguinte uma crença comum.” Henri-Frédéric Amiel

 

Uma sociedade não é, simplesmente, constituída pela massa dos indivíduos que a compõem, pelo solo que ocupam, pelas coisas de que se servem, pelos movimentos que realizam, mas, antes de tudo, pela ideia que tem de si mesma.” Durkhein

 

Esta crise vem demonstrar que algumas sociedades não fazem ideia de si mesmas. Talvez a “crença comum” de que Amiel falava seja o vencer esta doença,e por conseguinte a nossa própria sobrevivência. Tudo o que constituía o nosso “culto” de seres sociais está em causa. O consumo. O individualismo. O viver sem questionar. A pressa. O tempo. E acima de tudo a sociabilidade. Hoje não nos abraçamos. Muita gente já não o fazia antes. Mas hoje damos valor aos abraços. É da pior forma possível que estamos a perceber as fragilidades da nossa civilização. É da pior forma possível que estamos a descobrir que as elites políticas são fracas. Que a solidariedade entre nações não existe, (pelos menos entre algumas delas). Estamos a descobrir da pior forma passível a nossa própria inconsciência. Além disso também descobrimos que uma sociedade não pode funcionar se perder a “alma”. Essa alma que todos agora procuramos desesperadamente. Percebemos agora falta de finalidade da nossa anterior forma de estar. A nossa ilusória crença de que dominamos o mundo.

 

Acabo com um texto do poeta e profeta Pierre Leroux:

 

Há homens verdadeiramente cegos que nada vêem pelo coração nem pelo pensamento, que só vêem pelos olhos do corpo. Se lhes perguntar: Babilónia ou Palmira existiram e foram destruídas? Responderão que sim; pois podem mostrar ruínas materiais, restos de edifícios enterrados nas areias do deserto. Mas se lhes disser que a sociedade actual está destruída, não compreenderão e rir-se-ão, pois por todo o lado se vêem campos cultivados e cidades cheias de homens.(...) Não é quando as muralhas caem , quando as casas se desmoronam, quando as cidades se enchem de desolação, quando os habitantes se entregam às últimas convulsões da ruína dos impérios, não, não é nessa altura que a morte surge nas sociedades; quando isso acontece, as sociedades já estão mortas.”

 

Espero que nos saibamos erguer e construir uma nova sociedade a partir destes escombros. Depois poderemos então dizer que:

 

VAI FICAR TUDO BEM!

 

 

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