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folhasdeluar

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Hora de lucidez

Chegou a madrugada como uma sufocação. Pequenas luzes apagavam-se no tédio dos sonhos. Sentei-me...suspenso...na fragilidade de uma pequena alegria. De uma furtiva verdade. Um galo embalou-me. Disse-me que também esperava a dissecação da noite. E das sombras...ergueu-se uma maciça tela. Um céu brutal subiu por mim. Uma gloriosa dor acenou do espaço. E eu...senti o peso de uma hora de lucidez.

 

Vivemos num dilema..entre a sinceridade e a caricatura da sinceridade. Iludimo-nos com o nosso estranho prazer de sermos outros. Vários. Hoje somos...amanhã não. Amanhã vestimos a compassiva cegueira do esquecimento. A gloriosa ignomínia do triunfo. Mas não sabemos de qual triunfo. Não sabemos em que é que triunfámos. Porque todo o triunfo é um subterrâneo de subtilezas. Uma arcaica fatigação do momento. Que violentamos com a nossa febre de vencer. Ou com a nossa brutalidade de obscuro renascer. Mas não renascemos. Apenas vestimos o inexorável fato da fantasia. Que nos envolve com a magia de uma noite quente. Onde adormecemos exaustos e cansados...mas felizes. Porque enfim percebemos que acordar é muito pior. E construir um desejo...é uma finalidade!

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