Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

folhasdeluar

folhasdeluar

Ignoro todas as coisas...

 

Por entre a extensão luminosa da manhã

Desci a rua como quem persegue um destino

Procurei  por entre a sombra plumosa das árvores-do-algodão

A extensão cinzenta de mim próprio

Confundi-me com as folhas e com as flores que ressaltam nas janelas

Atirei longe o meu olhar como quem procura a esperança...num ponto qualquer do céu

Caminhei pelo sol... toquei na rudeza das casas ...perdi a idade

Sou agora o cume de qualquer coisa...o pérfido...o que bebe os sons das aves

Arrepio-me...alucino...hoje é tudo diferente dos outros dias

Há feras à solta...há castigos invernais...qual será o que me espera?

 

Quem se sujeita a andar na rua...

Sabe que por entre o azul das sombras se passeiam laços de amizade

E que a irrealidade espreita pelo canto dos rouxinóis.

 

Por entre a beleza dos dias...o corpo senta-se nos ressaltos das portas

As rugas crescem....os frios virão...

É o início dos silêncios... a aportar ao cruel desfilar do destino

Prometi que um dia correria pelo perfume das ramadas

Que um dia faria companhia a qualquer ave solitária

Tão certo como saber que um dia a geada me cobrirá o sono

E as avencas perdoarão a minha falta de atenção

No fundo...ignoro todas as coisas...

Mas perdoo-me...