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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

Imaterialidade

Pego na minha imaterialidade e sento-me na sombra. O silêncio é uma fina aresta. Uma linha pura. Nada tenho para dizer. Por isso..espero o que não espero. Espero por esse futuro que nunca vem. Esse futuro que tenho que viver...agora. O vento traça subtis ondulações na minha fantasia. Afaga a minha capacidade de sonhar. E sonho. Sonho com sons e com danças. Sonho com coisas que a minha ilusão trás à memória. Risos. Oiço ou meus risos. E oiço os meus primeiros sustos. Nada sei do que é um corpo. Se é inteiro. Ou se é dividido em partes. O meu corpo. Parte de mim...parte de um outro. Qual outro? Esse é o meu desconhecido. Deixamos uma pegada em cada memória. Em cada sítio ficamos. Mesmo depois de partirmos. Somos a irrealidade e a expectativa. Admitimos que estamos fartos de sonhar. Todos temos as nossas necessidades. E é tudo tão simples. Somos nós ou somos maiores que nós? Em que espaço queremos viver. A imaterialidade. E os dias em que queremos que tudo se desvaneça. A minha filosofia é a de um ser ridículo. A minha fadiga é uma névoa que me cobre. Não tenho estética nem sigo estéticas. Mas sou lúcido como quem brilha nas partículas de si. E sempre que o sol me atravessa...deslumbro-me. Comovo-me com pequenas coisas. Com pequenas manifestações de vida. A vida é uma comoção. A imaterialidade. Nunca fui capaz de entender porque somos materiais. Porque temos esta vontade de sermos materiais. Porque nos persegue esta vontade de sermos materiais. Se a humanidade regressasse ao início da humanidade...será que mudaríamos? Voltaríamos a ler os grandes filósofos? Lemo-los e de que nos serve? Que se lixe o Sócrates e os pré-socráticos. O Platão e o Aristóteles. E todos os outros cuja filosofia ninguém segue. Que se lixe a nossa ilusão e a nossa desilusão. Somos sempre velhos. Contornamos a nossa angústia com indizíveis expressões. Juramos. Que vamos ter a serenidade para suportarmos o que vier. Enquanto uma saraivada de desejos percorre a nossa alma.

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