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folhasdeluar

folhasdeluar

Imóvel...

 

Imóvel...como pó a desfazer-se numa côr irreal

Fecho-me dentro de um espelho onde vislumbro o segredo da chuva

Não regressarei...mesmo que os grilos acordem a noite

E os morcegos adornem a lua

Fechar-me-ei devagar...como se não houvesse vento

E as flores das camélias fossem rostos em canteiros desanimados

Soprarei...e todos os planetas tremerão com o meu gélido bafo

Todos os silêncios descerão a pique...

E o cimo do mar soçobrará na volúpia suave da luz dos faróis

Será a coreografia da luz...o tempo dos destinos...o mundo

Na noite a vida gira em caleidoscópios de vazio...nada diz...sofre...

Tece hipóteses de futuro com gramáticas impossíveis

A alegria recosta-se nos telhados...assoma pelas janelas...tudo brilha

A alma renasce...o fim acaba...a manhã cresce.