Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

Indefinível

Nos poros da alma descansam mansas poesias

No fundo das pedras rasgam-se as solidões

E os sonhos...esses rebeldes travos de melancolia

Que se erguem do fundo do chão e dos séculos

Como mundos riscando mares de água escura

Aflitos por não saberem quem são

 

Olhos que viajam e que esperam pela distância

Solidões de astros a rasgar as trevas

Uma linha nos separa do chão desencantado

No fundo dos meus braços erguem-se veredas

E todos os pássaros se despedem da terra deslumbrada

 

Há uma viagem...um parapeito...uma janela

Há um corpo debruçado na campina e na agonia

Há uma estreita válvula de fogo a consumir os dias

E o sol a brincar às crianças

Crinas louras feitas de sombras...luzes e pombas

Tudo calmo...tudo absorto...tudo eterno

 

As estátuas morreram na brusquidão das almas

Os risos pedem que os deixem passar

Pelas margens dos fantasmas

E ninguém pensa na nortada

Que se solta das amarras das galés

Ninguém sonha com desertos

Nem com finos traços de vidas

Que se cumprem na sina

Que as linhas das mãos transportam

Mãos que já não sentem que são mãos

Ninguém diz: - atirem-me pedras

Corroam-me as carnes

Espreitem por dentro de mim

Ninguém diz: - sou a ilusão da porta fechada

Sou o vislumbre da dor inconsciente

Sou a pedra que se arrasta

Pelas escuras gavetas da noite

 

Ontem vi a lua cheia de si

Ontem tornei-me indefinível

Ontem fui a paisagem cheia de luz

Desci ao anfiteatro das farsas

Bebi a saudade como quem boceja

E soube que nenhuma flor se ergue da morte

Que nenhuma porta de abre

Aos batimentos das folhas ressequidas da alma

Que nenhuma viajem se faz sem que a luz decline

E o coração se erga!

 

 

2 comentários

Comentar post