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folhasdeluar

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Insignificâncias

Abraço essa nebulosa feita de fantasia. Dou nomes a tudo o que não sou. Abraço a noite como quem se atira para dentro de um sonho. Escuto um piano na outra sala. As notas deslizam até mim. É Maria João Pires a adocicar a tarde!

 

Início uma caminhada. Imito Kerouac. Invento o centro do mundo.  Quando encontrar o fundamento de estar vivo. Transformo-me numa alga. Ou num encolher de ombros. Ou então falarei na estética sobranceira da lua. Como quem pensa o que não sabe. Sei que sou insignificante. Sei que tudo me separa da grandeza dos céus. Mas ergo-me...como quem se aproxima do cansaço. E se eleva à condição de Homem.

 

Vibram as ideias. Caem de mim como folhas secas. Libertadoras. Escrevo. Escrevo para me lembrar que ainda há palavras a dizer. Que ainda há emoções a comunicar. Escrevo...como se estivesse dentro de uma campo magnético. A preparar o caminho à tempestade.

 

Nas alturas em que me debruço sobre a insignificância de um bocejo...verifico a transcendência da tranquilidade. E garanto que não há razão de ser para a agonia. Posso desaparecer dentro de mim. Posso aproximar-me daquilo que eu acho que é a melancolia do mundo. Escutar os grilos. Ou o pio do mocho. Ou até desvanecer-me nas notas de Count Basie. E também posso descrever o momento extasiado da alma.