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folhasdeluar

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Janelas fechadas

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Cai sobre nós a escuridão...como um estilhaço de língua muda a delirar no escuro

Derrama-se a sombra pelos olhos...já não somos dois

Há sempre no final da noite...um travo a chumbo nos corpos separados...uma morte delirante

E mesmo perante os relâmpagos que incendeiam as paredes solitárias dos quartos

A vida corre nua..num ápice a razão desaparece...a vida fica estranha...rasgada

Há um absurdo fluir de mágoas...e a candeia húmida...exala uma tétrica luz desfocada

Já não há seios nem coxas a elevarem-se na loucura de uma paixão ansiada

Há agora uma ignorância...um espaço indefinido..estranhos devaneios

Olho o céu provocador...sinto o odor dos escombros de nós...fecho os olhos

Aspiro esse estranho jogo do coração...

Estendo a mão pela delicadeza sinuosa das memórias...sufoco

Que dimensão têm os sonhos? Que fome satisfaz a voracidade das mágoas?

Sei que há um lugar onde seremos duas janelas...insatisfeitas...fechadas...