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folhasdeluar

A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

folhasdeluar

A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

Lembro-me daquela vez

Lembro-me daquela vez

Em que me falaste do mistério das estátuas

Daquelas estátuas

Feitas das penas dos que venceram

Estátuas que estão ali... plantadas...

Como mentiras de pedra

 

Deito a cabeça na minha almofada

Feita com a solidão do deserto

Dá-me um cais e eu serei o teu luzeiro

O teu verde-anilado

E assim poderei ser mar e tu a pedra

Que se ergue nos meus ombros

 

Lembro-me das laranjeiras

Que nos acenavam na noite do quintal

Lembro-me de apontar o dedo

Às histórias que me contavas

Lembro-me de tudo...

Menos do nó que me apertava a garganta

 

Ainda tenho na minha...

A mão que me passavas pela cabeça

Como um anseio de sede

Como uma escrita rasa

Feita com as cores da tua vida

 

De longe a longe vem-me uma dor ao peito

Sobe por mim como uma porta...ou uma farpa

Nunca mais me visto de multidão

Nunca mais assomo ao teu corpo de licor

 

Imagino-me a escorregar pelos cabelos dos jardins

E adormeço....

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