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folhasdeluar

A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

folhasdeluar

A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

Não sei falar de mim

Pego com mãos de vidro

Nas flores que o vento borda

 

Gelosias de nevoeiro dissimulam as cores

Paradas na margem do rio

Um himalaia de paz branca...espessa

Cresce na órbita do silêncio

Assombrando as cravinas

Que descansam nos vasos de barro

 

Nem todas as sombras se vão

Algumas agarram-se a nós

Com a cola feita de imagens desbotadas

Nem todos os erros se esquecem

Alguns ficam connosco

Como dedos de ferro a plagiar o destino

 

Se eu soubesse falar de mim

Diria que uma estrela me viu de cabeça para baixo

Que os meus olhos possuem

Todos os centímetros que os olhos podem possuir

Que morro de frio

Como um Universo que não cabe em si

E que a tua presença

É a solidificação de todos os meus anseios

 

Se eu soubesse falar de mim

Diria que os dias se multiplicam

Por dentro das minhas veias

Que a felicidade consome o tempo da saliva

Que na minha boca cai a chuva

Que me molha por dentro

E que na espera de mim

Há uma lonjura de mar telescópico

A entoar as frases das algas

Mas...eu não sei o que digo

Não sei falar de mim...

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