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folhasdeluar

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Não temos razão para duvidar de que a nossa vida é um atropelo de sabores e vento

Desembrulhou a paisagem que trazia guardada nos olhos. Era uma paisagem feita com a abnóxia repugnante do conformismo. Era uma paisagem furtiva de horas fracassadas onde a delicadeza dos dias assombrava a órbita estelar dos compromissos.

 

Era absolutamente comovente ver como a noite se erguia do lixo que empestava a alma das ruas. Um lixo de pessoas que avançavam às apalpadelas pelos caminhos crispados do quotidiano.

 

Que aconteceria se a matemática se revoltasse contra as leis que a impelem a falar do infinito? Que aconteceria se esgravatássemos nesse choro que nos puxa para a noite. Nada! Talvez,nada!

 

Grandes expectativas faíscam na honra dos barcos. Grandes oceanos esperam pela veemência das ondas enquanto a chuva conta histórias de alegrias físicas.

 

Não temos razão para duvidar de que a nossa vida é um atropelo de sabores e vento. Não temos razão para duvidar de que o que nos faz crispar os olhos é apenas uma varanda com as balaustradas em decomposição, onde se poisam deliciosas mentiras contadas por um velho louco. Esse velho louco não é nem mais nem menos do que o caminho que nos aperta o estômago e que guardamos na palma da mão como quem se apaixona pelo assobiar de um pássaro.

 

Através de mim vejo o dia e a escuridão. Através de mim escuto os passos de uns sapatos desgastados. E acredito que todos os caminhos possuem uma pele. Uma pele de carvão e de fastio, ah, e também têm um apelido que dá saltos na noite como quem tropeça na luz. Evito pensar.

 

Evito vergastar a memória com incandescências de coral, porque na lancinante noite, o melhor é mesmo adormecer.

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