Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

folhasdeluar

folhasdeluar

No silêncio dos cadernos.

Não digas nada. Não expliques nada. Fala-me apenas da travessia dos dias. Fala-me dessa claustrofobia que nos esmaga de encontro em encontro...até encontrarmos um céu onde os sorrisos são a electricidade que nos move.

 

Entretenho o olhar com as nuvens que se enrolam à minha fantasia. De nada me serve virar as costas e avançar ao meu desencontro. De nada me serve descobrir que há uma imundície na sombra de cada raiar de luz. Podia perder o meu tempo a dissecar a irregularidade de cada pessoa que se projecta no écran desfocado da minha ilusão. Mas não vale a pena descarregar a minha inconsciência de gato sem forma. Prefiro remeter os meus olhos para outras paragens e inventar fantasmas no fumo que sobe do cinzeiro. Tenho tendência para me remeter ao infinito...como se abarcasse em mim todos os poços sem fundo da vida.

 

Como deve ser bom sentir na alma a libertação caótica dos felinos. Encher páginas e páginas com palavras viscerais. Utopias. Descrições de mundos falsos. Depois...desaparecer carinhosamente no silêncio dos cadernos.

 

Tudo o que é negativo trás consigo um manual de lições. Não há prazo para desvendar os labirintos do ser. Tudo acaba colado ao vidro da nossa janela. Todo o amor acaba por ser um boomerang de aflições. Se eu pudesse...construía um contentamento em cada minuto. Colava sentimento a sentimento. E exibia a minha felicidade em todas as ruas...como se vestisse um casaco feito de coisas desnecessárias. Poderia percorrer as sombras como quem desabafa em encruzilhadas de tédio. Poderia considerar a possibilidade de escolher a chuva que me molhasse. Mas não. Leio Luís Pacheco e oiço Piazzolla...enquanto a tarde se enrola na penumbra do quarto.

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.