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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

O amanhã que desgasta

Desperto com a árida penumbra

Cobrindo a luz que oscila na minha agonia

Invento astros para não me queixar da solidão

Afio punhais nas pedras do tempo

Corto a direito os sentimentos que se escondem

Era bom que os olhos vagos dos deuses me descobrissem

Era bom que as palavras se deixassem escrever

A mim...basta-me o verão...

E essa quimera de ser consumido

Pelas margens do rio onde passeio

 

Sei que sou feito de nadas...

Mas amanhã sei que poderei ser feito de tudo

Sei que poderei conter em mim

Todos os raios que rasgam os céus

Enquanto espero que o tempo se afunde

No destino movediço dos astros

 

Esperarei que a morte invente uma consolação

Só para mim

E os pássaros se passeiem pela minha pele gasta

Amanhã...sim amanhã

O amanhã que desgasta

É o que me basta...

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