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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

O fel do homem

Respiro as fragrâncias escondidas na insónia

Pelo meu corpo passeiam-se as linhas proibidas

O meu corpo pulsa sempre que procuro o vento

 

Não há nada de inexplicável

No breve instante em que o mar penetra em mim

Há apenas uma obsessão de ser eu

Há apenas um mundo escuro sem portas nem janelas

Um mundo cheio de canais

Onde posso percorrer as horas de ninguém.

 

Procuro esse sonho essencial...essa amostra de mim

Quero que as nuvens alarguem as fronteiras que ainda possuo

Quero que o horizonte me banhe com as batalhas que perdi

E que o vento faça ecoar a flauta que se esgota em notas aflitas.

 

Procuro nem sei bem o quê

Será aquele instante em que o mundo se revela ?

Ou será que nunca aprenderei a escutar o que resta das paisagens?

Talvez na languidez da chuva acrílica

Eu encontre os despojos dos astros

Ou no caos das marés eu deponha a minha esperança.

 

Não há respostas às perguntas que faço

Ergo-me...purifico-me...sou o peixe voador

Caindo por detrás de um ocasional copo de vinho

Que misturo com o fel que me corre no sangue...

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