Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

folhasdeluar

folhasdeluar

O fim do verão

O fim do verão não chega

Para nos dizer que a viagem se faz de metáforas

Que a noite se acomoda nas teias das aranhas

E se dobra em infinitos cambiantes

E que a folhagem das urgências é um breve sinal do fim das palavras

O fim do verão traz o orvalho

A contemplação dos ritmos

E o som dos sinos lembra a secura dos desertos

E o pão repartido por breves mãos de seiva

O fim do verão cisma que as visões são imanências

Coisas abstratas...pertenças de raios oscilantes

O fim do verão acalma o cair dos sonhos

Oculta a grafia dos areais

É uma porta para as ruas e as cidades

É um poema que na raiz das flores afrouxa os seus sinais

O fim do verão traz a noite longa

A corrosão das tardes

A safira impoluta do céu

Traz também a plenitude dos rios

A cadência das imagens

O quebrar dos vazios

O fim do verão é o lugar de não ir a nenhum lugar

É o fulcro...o logaritmo da vida ..a corrosão

Percorro o fim do verão dentro de uma insónia

Quero ver o contorno da lua..o tabernáculo

E no fim do verão

Quero deslizar pela luz e pela sombra aquática dos salgueiros

Como se tivesse dentro de mim a última visão do silêncio..

10 comentários

Comentar post