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folhasdeluar

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O final do dia

A nossa vida é uma bifurcação de chamas e gelo. Uma sala onde o pó nunca assenta. Tudo rodopia em nossa volta. Precisamos despir-nos do nosso Eu. Esse Eu que não existe. Esse Eu que só vive dentro do nosso Eu. Que nos manipula. Que nos faz sofrer.  Eu sou rico. Eu sou pobre. Eu estou triste. Eu estou contente. Aquele ofendeu-me. O outro enganou-me. Passo a vida a sofrer. Sou tão sofredor. A vida é madrasta. Estou furioso. Despir-nos do Eu é encontrar prazer em existir. Em existir simplesmente. Em aceitar que tudo é passageiro. O bom e o mau. Despir-nos do nosso Eu é não ficar nas mãos do outro. Despir-nos do nosso Eu é não deixar que as acções provocadas por outros contribuam para o nosso mal-estar. Mas é tão difícil encontrar essa paz. A paz de quem está de bem com tudo o que lhe acontece. A paz de quem percebe que tudo é uma ilusão. Que tudo pode ser uma festa. A paz de quem consegue encontrar algo de positivo no negativo. Isso exige um treino. Um treino não do corpo. Um treino da mente. Um treino que nos leva a aceitar o dia. O dia que ao chegar ao seu final possamos dizer que o vivemos. E mesmo que alguma coisa tenha corrido mal...pouco importa. É vida.

 

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