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folhasdeluar

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O homem medíocre...

Nos momentos decisivos da história ocorre com frequência o fenómeno de um esplêndido, luxuriante, selvático crescimento ascensional e de um desabrochar lado a lado, amiúde entrelaçado e enroscado – uma espécie de aceleração tropical e crescimento à compita, monstruosamente perdulário e autodestrutivo, causado pelos diversos egoísmos – todos girando em torno um do outro e como se explodissem, todos se combatendo mutuamente “pelo sol e pelo ar”, e já incapazes de derivar qualquer limite, qualquer restrição, qualquer indulgência da moral aceite. Foi essa própria moral que armazenou tão enorme energia, e dobrou o arco de maneira ameaçadora: - agora está gasta, agora está-se tornando “superada” . As coisas atingiram o ponto perigoso e estranho em que a vida maior, mais complexa, mais abrangente, vive além da velha moral; o indivíduo é forçado a fazer as próprias leis, as próprias artes e estratagemas de autopreservação, auto-realce, auto-redenção. Nada senão novos por quês e com quês; não mais fórmulas comuns, a incompreensão aliada ao desprezo; decadência, corrupção, e os desejos mais elevados horrivelmente enleados; o bom génio da raça transbordando de cada cornucópia do bom e do mau; uma coincidência mal pressagiada da primavera e do outono, cheia de novos encantos e véus característicos da corrupção juvenil ainda inexaurida e incansável. Aqui mais uma vez há perigo, a mãe da moral – grande perigo, só que desta vez reside no indivíduo, no vizinho e no amigo, na rua, no próprio filho, no próprio coração, no recesso mais pessoal e mais íntimo de cada desejo e cada vontade: que é o que podem pregar os moralistas deste novo século? Eles descobrem, esses agudos observadores e ociosos das esquinas, que o fim está próximo, que tudo á volta deles é corrupto e corruptor, que nada pode durar além do dia de depois de amanhã, excepto uma espécie de homem, o homem incuravelmente medíocre. Só aos medíocres é dada a oportunidade de continuar e propagar-se – são os homens do futuro, os únicos sobreviventes, “sê como eles! Torna-te medíocre!” é, portanto a única moral que ainda tem algum sentido ou encontra ouvidos para ouvi-la. Mas como é difícil pregar a moral da mediocridade, que nunca pode admitir o que é nem o que deseja ! Fala em moderação,dignidade, dever a amor fraterno – mas só ela sabe o trabalho que lhe dá esconder a sua ironia”. ***

***há textos que para além de intemporais são previsões, é fabuloso como Nietzsche, que morreu em 1900 , descreve neste belo texto o homem do século XXI.

É este homem medíocre que permite que homens medíocres como Trump,Bolsonaro e outros, governem os seus países

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