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folhasdeluar

Poesia e outras palavras.

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Poesia e outras palavras.

O muro branco

Havia um muro branco onde o luar florescia

Pérolas de luz caíam na madrugada

As ruas refletiam o nojo magro da solidão

No quarto uma luz despida dispersava-se pelas paredes

Nocturnos melros assobiavam aflições

O soalho era uma afirmação de velhice obstinada

Havia um drama em cada estrela

Havia um beijo em cada lua

O silêncio dançava a sua própria música

A razão era uma metáfora cega

A escuridão era uma boca a engolir a alma

Atravessava-nos um sentimento de carne violenta

Um clarão de prata desfazia-se na lonjura...não havia horizonte

No meio de nós a insónia sentava-se como uma fábula dormente

Aqui e além o granito tragava as águas

Voltaicas raivas estremeciam na profundidade dos olhares

Os espelhos esgotavam-se em imagens feridas de saudade

Porque sabiam que os poros da alma exalavam ventos glaciais

E a beleza vasta do espaço inclinava-se para dentro das artérias

Como se um cavalo galopasse na penumbra do sangue.

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