O paraíso é apenas uma subtil passagem na nossa divagação pela Vida!
Temo o dia em que a poesia não seja para mim mais que uma candeia apagada
Temo o dia em que a luz se altere e o meu espírito caminhe vago e sem direcção
Temo o dia em que tenha que carregar a minha alma na palma da mão
Como um mártir sufocado pelo fim dos sonhos gastos pelo veneno dos dias.
Não quero ser luz...quero ser força...
Não quero ser suplício...quero encher-me de gozos
Não quero ser o caminhante perdido que segue sem Oriente
Nem a luz alterada pela rarefacção dos corpos desencontrados
Quero ser impaciente como uma febre divagante
Quero regressar ao tempo sem idade
Quero fazê-lo contar a sua história numa orgia caleidoscópica
E o corpo?
Se temos que o matar para que nos leve ao paraíso...pois faça-mo-lo
Retiremos das nossas entranhas as flores mártires...
Rasguemos carnes...estripemos a alma...mandemos essas flores ao diabo
E depois...riremos com o entusiasmo dos cruéis...
Como se fôssemos uma autoridade carregada de gozos
Ou como mestres na arte de mandar palmas encantadas aos sofrimentos
Porque o paraíso é apenas uma subtil passagem na nossa divagação pela Vida!