Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

folhasdeluar

folhasdeluar

O perdão....

Que sabes tu das ruas encharcadas pela chuva das almas ...crucificadas

Que sabes tu do pão roído pelos milhões de vampiros

A quem os tiranos de pele incerta e suja rasgam as entranhas

Que sabes tu das bebedeiras deitadas nos confins dos céus nublados

Que percebes tu das caras... e das idades sem cara e sem idade que povoam as ruas

Sim... temos o sol e o Inverno...e os sovacos cheios de desconforto

Temos as praias e a altivez pavorosa da incerteza

Temos o desconhecimento a pairar sobre as nossas cabeças

E os astros a florir sobre as nações cobertas de carnes desfraldadas aos cães

Temos validade e prazo para os sentimentos que em júbilo gritam...frases multicores...

Palavras pegajosas como saliva quente...

Onde irei eu arranjar quem me sopre e enfune as velas?

Eu que vejo a humidade da manhã a ser derrotada pelo vento

Eu que vejo sobre a minha cabeça todas as flores e todos os dramas

E que vejo ao longe a idade filha do tempo a escarrar sobre a minha imaginação

E tílias imensas bruxuleando raivas sobre feéricas memórias

Eu que só peço que venha depressa a guerra...que se mate a moral...

Que os anjos me sufoquem num céu deserto

Que derramem sobre a minha cabeça uma bela glória a Deus

Sem arte nem imaginação...apenas uma bela coroa de magia...

Dura e inflexível ...feita de um material insensato e bestial

Onde eu possa acrescentar a sede...a chuva...o luar...

E todas as coisas que povoam os gritos que o inferno pagão ignora

E onde possa acrescentar... viva... a mão vazia e amiga de um vácuo

Como se fosse uma flor a pedir perdão...

Por ter nascido...

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.