Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

O prémio absoluto da vida.

Percorremos este caminho de esquecimento. Este caminho original. Este caminho de prodigiosa falta de originalidade. Em frente a nós o alarme da noite. A indiferença fundamental. A flor que germina por entre as pedras. O espírito mineral. A iluminação. Em frente a nós a fossilização da vida. A condição de uma ancestralidade. O extraordinário reflexo do nosso inverno. O renascimento a cada dia dos nossos nadas. Perdidos em sobressaltos construímos as nossas ruínas. Desconstruímos as nossas obsessões. Sentimos um alarme dentro do peito. Em nós vibram biliões de infinitos. Sentimos a fulguração fantástica de sermos apenas um acaso. Somos o projecto de um tempo ventoso. Um tempo raiado por infinitas encruzilhadas. Um tempo atroz. Um tempo projectado no brilho das estrelas. Ofuscado pelo que poderíamos ser. Ofuscado pelo que somos. E nós...vivendo na pureza de um instante. Irradiando fins em cada princípio. Descobrindo a irrefutável verdade do que nos fascina. Aroma de tarde. Pacto de silêncio. Cerrados os lábios. Subidas as colinas. Remoendo remorsos e traições. Descobrindo caminhos e memórias. Sem saber onde começou a viagem dos milénios. Sem saber quase nada da vertigem eterna. Sisudos sabemos que a nossa gravidade se apaga...no silêncio da nossa ausência. Cativa nas noites siderais. Desconexa e brutal. Aura de animalesca realidade. Prémio absoluto da vida.