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folhasdeluar

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O que ficou de nós

O que ficou de nós na negrura da noite...não foram as palavras. Foi o silêncio. A tua cabeça no meu ombro. O sideral mistério. A Via Láctea. O rebentamento das ondas. Nós os dois. Ali. Ritualizados. O jantar. O vinho. A praia. O cálido bafo do verão. A ternura. Massiva. Pétalas de luz cresciam no céu. E nós...alastrávamos até ao infinito. Toda essa noite vem. Todas essas sobras de nós vêm. Crescem em mim. São as minhas sublimes conquistas do vazio. O que ficou de nós na negrura da noite foi a gratidão. O momento. A frágil doçura do instante. A calma. A intimidade. E não há palavras a dizer. Felicidade a exprimir. Há apenas minúsculas folhas de luz a esconderem-se nas ondas. Imagino-me ainda ali. A absorvo o frémito daqueles momentos. É curioso como as distâncias se dissipam na alma. Como regresso a um tempo intocável. Intocado. Fluido como as memórias. Um tempo que nunca arrefece...dentro de nós. Depois...um passeio. A areia. O triunfo de nós. O prazer do espaço e do longínquo farol. A nossa finalidade. A esquadria dos sentimentos. O sincronismo do olhar. O céu. O respirar fundo. A nostalgia. A condensação dos sentidos. Profundos. Finos. Como penas evoluindo na noite. Nós. Sós.

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