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folhasdeluar

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O silêncio da amizade

Tenho que ser sincero, a pandemia não me está a afetar do mesmo modo que aos outros. Verifico que até me ajudou a descobrir um outro que vivia em mim. Agora não tenho que arranjar desculpas para fazer o que mais gosto....ficar em casa. Não tenho que me desculpar se não vou àquele jantar. A esta festa. A este encontro que não me interessa. Já não tenho que me sentir culpado por não me apetecer sair. Por querer comer em casa. Por não me apetecer ir ao cinema, a qualquer outra comezaina ou a outra actividade. Bom falta-me o Alentejo. Falta-me o espaço verde e florido. Esse espaço que familiares me vão enviando através de fotos. Na verdade sou pouco sociável. Tenho poucos amigos. Mas esses, os poucos amigos, nunca me faltam. Assim como eu a eles. Aos amigos nunca faltamos. Os amigos sabem sempre onde estamos. Mesmo sem nos tocarmos. Porque os amigos sabem que mais cedo ou mais tarde, nos juntaremos. A esses amigos, com o couro calejado por quarenta e tal anos de amizade ininterrupta, não preciso de dizer nada. Basta-nos o silêncio da amizade. Basta-nos o saber que cá estamos. Sempre. Como quando corríamos atrás da bola ou dormíamos na praia. Ao ar livre. Basta-nos saber que ainda somos os mesmos. Sempre prontos. Sempre belos amigos. Sempre amigos.

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