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folhasdeluar

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As urgências - e os médicos...

O SNS está a rebentar pelas costuras. Culpa do desinvestimento do tempo da troika. Tempo esse que agora é preciso recuperar. Há cirurgias atrasadas. Consultas atrasadas. Dívidas. O governo enverga aqui uma camisa de sete varas. É preciso investir nas pessoas. É preciso investir em novos equipamentos. É preciso pagar dívidas. E ainda é preciso pagar aos hospitais privados os serviços que o SNS lá manda realizar, 500 milhões ano.

 

 

O SNS tem um problema de gestão de tempos de trabalho. E um dos problemas, é desse que quero falar, são as urgências. As urgências “consomem” mais de metade do tempo de trabalho dos médicos. São 18 horas de serviço semanal e mais seis de descanso. O restante tempo fica para consultas e cirurgias. A este situação acresce o facto do estado, nós, gastarmos cerca de 260 milhões de euros com médicos tarefeiros, nas urgências.

 

O que me pergunto é; porque é que o SNS não funciona como uma empresa? Porque é que não se criam equipas multidisciplinares com dedicação exclusiva às urgências? Certamente que os 260 milhões gastos com médicos tarefeiros, que ainda por cima não têm nem a responsabilidade nem o “traquejo” dos médicos que trabalham nos hospitais, chegariam para pagar esta revolução nas urgências.

 

Quais serias as vantagens. A mim, parece-me que seriam imensas, a começar pela “libertação” dos médicos para as consultas de especialidade, e para as cirurgias. Que certamente deixariam de ter os atrasos que agora se verificam.

 

Se numa empresa quem trabalha com produção, apenas faz produção, comparemos as urgências à produção. Quem trabalha em embalagem apenas faz embalagem,e nisso se especializa. porque não criar a especialidade de médicos dedicados apenas às urgências?

 

P.S. - ninguém se esqueça de que por um acto médico que corre mal, há dezenas de milhares que correm bem. É claro que não queremos que o acto que corre mal, seja connosco.

3 comentários

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    Manuel da Rocha 26.11.2019

    Destruir é muito fácil... basta dispensar pessoas, despedir outras e reduzir serviços.
    Dou-lhe o exemplo do Hospital Garcia de Orta que tem estado a levar porrada dos meios de comunicação social a toda a hora por causa da pediatria. Fui lá em Maio de 2014, devido a um cansaço excessivo. No centro de saúde, enviaram-me para as urgências. Estive 32 horas à espera!!! Sabe porquê? Porque só existiam 4 cardiologistas nos quadros do hospital. 29 tinham-se ido embora, quando lhes cortaram 25% dos ordenados e os começaram a substituir por tarefeiros a receber 80 euros por hora. 15 saíram dos quadros do hospital mas, trabalhavam lá por uma empresa de serviços, a fazer urgências e fazer relatórios de vários exames radiológicos. E isto não foi notícia, porque a ordem dos médicos mandou calar toda a gente e os meios de comunicação social tinham medo do governo, depois do que se tinha passado com o ministro Miguel Relvas, que custou o trabalho a 160 jornalistas.
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    Folhasdeluar 26.11.2019

    É por causa de situações como essa que defendo a exclusividade de equipas nas urgências...
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