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folhasdeluar

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O tempo acabou!

Ontem percorri as penas dos pássaros. Despi-me como quem declara paz a si próprio. Separei-me dos espinhos. Percorri as marés. Oscilei como um pêndulo geometricamente avariado. Espreitei para o furor dos precipícios. Nada descobri. Todas as visões se desfaziam em vertigens de amanhãs. Solstício de ruas e lugares. Furor de antes caminhar que cair. Poético contágio de silêncios. Paz. Penso na minha respiração. O tempo abre-se. O tempo é o juiz de todos os tempos. O tempo é a estreita fenda por onde tudo passa. Onde tudo cai. Antes do tempo havia a madrugada. E os olhos. E as bocas. E os lábios. E também a loucura dos beijos. Antes do tempo havia a liberdade de não haver tempo. Mas os pássaros ensinaram-nos a voar. Por isso...o tempo acabou!

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