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folhasdeluar

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Oh, ventos de Maio

Por vezes gostamos de estar no lado escuro da nossa vida. Gostamos de evolar por esse subterrâneo. Por essa aparência de nós. Por esse ermo onde podemos descansar. Ali onde não há pretextos. Nem projectos. Nem espantos. Ali onde se está...simplesmente. Ali...onde nos sentamos perante o nosso deserto. E contemplamos astros e glórias e amarguras. Ali...onde somos plenos e áridos. Ali...onde somos reais e sentimos a plenitude do infinito.

 

Um dia estamos sós. Nus perante a distância dos olhares. Um dia subiremos à brutalidade do céu. Seremos ápices. Seremos infames. Explodiremos. Seremos seres minerais. Esquecidos. Condenados. Estirados em vazios. Bebendo a nossa ardilosa força de seres supremos. Vãos. Um dia fecharemos a porta. Perdido o nosso rasto na chuva da tarde. Seremos a seara negra. O vento profundo. A luz fútil. Que brilha...desenquadrada...no surgimento da manhã.

 

Oh, vãos espaços. Oh, vésperas de outro mundo. Oh, ventos de Maio. Que perfumes nos esperam? Que calamidades iremos construir? Que sonho nos fulminará? E nós sem nome para dar às coisas. E nós de olhos endurecidos. E nós metálicos. Escaldantes. E nós algemados à profunda protuberância de um silêncio sem carne.

 

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