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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

Oiço um pássaro

Estranho ponto pousado

Entre o espaço e o rio

Sou eu?

Ou é a luz a desafiar-me para a longa viagem das aves

É o silêncio das veredas?

Ou é a estrada a dizer-me....vem!

Mas eu alastro...

Alastro por dentro da chuva

E dos olhos que não me vêem

Alastro por dentro de todas as fugas

E de todos os ventos

É sempre assim...quem fui?

Que espera inunda a minha alma feita de noites?

Se corro por entre a vida e a morte

Que distância fica entre mim e a minha alma?

Há uma cisma na lua

Há uma ausência de mim na chaga dos dias

E há um charco de onde não se foge

 

Brincamos nos olhos dos outros

E quando a primavera chega...florimos

Como narcisos...como desertos

Como fomes de sermos outros

 

Ninguém vê nem ouve

Os demónios que nos invadem

Ninguém sente as finas redes

Que nos tolhem as asas

Ninguém percorre a distância

Que nos cobre de negro

 

Oiço um pássaro

Ou será um poema de Celan que esta ave anuncia?

 

Por entre a amargura do tempo

Reparto-me em agudas lâminas

Por entre o espaço de um segundo

Vivo a plena eternidade!

 

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