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folhasdeluar

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Os gritos da alma

Dizemos tanta coisa quando queremos ser algo mais que palavras. Falamos dos dias e dos loucos e das excitações e das citações que os outros citam. Pegamos em manuais de psicologia e tentamos fazer uma revolução com a alma. Aperfeiçoamos espaços e guardamos a revolta na gaveta dos dias. Sabemos que há sempre aquela gaiola à nossa espera. Aquele ritual sagrado de tácitas manobras de engate. E a violência da fome a desmoronar-se sob os nossos olhos. Transmitindo-nos a dialética errada de uma sociedade sem regras.

 

Divertimo-nos em inconfessáveis geografias. Apontamos o dedo à rotação dos dias. Batemos a portas secretas onde vivem isotéricos problemas. Insolúveis maresias. Por vezes, aparecem-nos cosmológicos seres desconfiados. Outras vezes abraçamos as incertezas como se fossem notícias felizes.

 

Por mais vezes que morramos nunca expiaremos os gritos da alma. Alamedas de ébrios seres abrem-se aos nossos olhos. A vida seria muito mais fácil se não existissem os reprovadores silêncios dos deuses. Tudo seria mais fácil se não existissem deuses...pelo menos na cabeça das pessoas.