Os nossos demónios
Há uma ânsia a contemplar um país que inventamos
há uma dor cautelosa a deitar-se na noite
Os nossos corpos fecham-se como flores sem sol
Comemos e bebemos junto aos fantasmas
Que incautos ... espreitam os nossos corpos nus
Todos amamos os demónios
Que vivem dentro dos nossos astros
Como astrolábios que decepam as formas do horizonte
Todos apanhamos a poeira que escorre das ideias
E os nossos íntimos beijos
São golpes a decepar a solidão
Talvez um dia admiremos as flores
Que crescem nas sepulturas dos olhos
E os nossos medos sejam cores
Gemendo na imensidão esvaziada do tempo
Como vulcões que sopram na penumbra da sua lava
Ou como alfanges que cortam os gestos vazios
Do musgo madrugador nascem desejos de nadas