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folhasdeluar

A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

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A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

Os nossos demónios

Há uma ânsia a contemplar um país que inventamos

há uma dor cautelosa a deitar-se na noite

Os nossos corpos fecham-se como flores sem sol

Comemos e bebemos junto aos fantasmas

Que incautos ... espreitam os nossos corpos nus

 

Todos amamos os demónios

Que vivem dentro dos nossos astros

Como astrolábios que decepam as formas do horizonte

 

Todos apanhamos a poeira que escorre das ideias

E os nossos íntimos beijos

São golpes a decepar a solidão

 

Talvez um dia admiremos as flores

Que crescem nas sepulturas dos olhos

E os nossos medos sejam cores

Gemendo na imensidão esvaziada do tempo

 

Como vulcões que sopram na penumbra da sua lava

Ou como alfanges que cortam os gestos vazios

Do musgo madrugador nascem desejos de nadas

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