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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

Para lá de mim

E vejo...

A ilusão que se arrasta pelo corpo do sonho

Para lá de mim...

A multidão que ofusca o nevoeiro que me cobre

Para lá das sombras...

O côncavo clarão da luz a acenar-me

A arrastar o seu hálito de vida

A fundir-se na largura de um rio sem destino

A transformar-se na síntese da glória de ser

O fio condutor da farsa que represento

 

Do meu corpo saem raízes

Da minha alma caem abismos

De mim se levantam

Os dias feitos de um chão que não piso

Ergo ao alto todas as derrotas

Todos os infernos e todas as solidões

Semeio astros no sopro dos dias

Que se esvaem em espumas de sonho

E as pedras que me atiram

E as pedras que atiro

São apenas prolongamentos dessas luzes

E desses clarões que me ofuscam

Ponho as verdades que não digo

Nas asas que uma ave que não voa

Vagos são os degraus que não subo

Vastos são os silêncios que procuro

Luto para não tropeçar

No fim que desconheço

Busco a brasa que me queima

Aquela que não deixo tocar-me

Busco...sei lá o quê

Talvez a aresta que me rasgue a noite

Talvez o solitário raio que cai de um sol antigo

Talvez eu próprio...

 

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