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folhasdeluar

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Passos...

Só quero caber na minha vida. E quero entender este meu silêncio rupestre. Pisar o charco. Descobrir o meu pretexto para seguir em frente. Beber a religião do esquecimento . Do saber que sou o que passou. Do saber que a vida é um irrisório coalho de sangue. Uma montanha de frio. Um arrepiar de sombras. Que vivem na vibração da pele. E da alma.

 

Sentado na varanda voltada para a ribeira que derrota o granito das pedras...esqueço-me do tempo que volteia num espaço sem horizontes. Ali emerge a minha génese. A minha transbordância da realidade. Ali afago a noite. Ali me dispo de mim. E me torno translúcido ...como a névoa que lentamente vai cobrindo o vale. Ali sei o que sempre soube. Ali intuo o apagar dos tempos. A imortalidade e a volatilidade das coisas. Ali...todas as vozes são estéreis. Ali apenas conta o alisar do vento. E a saudação da paz.

 

Sei que venho de longe. Dos tempos áridos. Dos universos sem escala. A minha sombra é uma seda comovida. Um rio que corre como uma passamanaria que me preenche. E se apresenta em mim com a profunda negligência de quem não é. Ou como um frio raiado de sedes ancestrais. Que se colam a mim...como pesadas heranças de rituais que não percebo. Mas que me mostram que há um milagre...em cada passo que dou.

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