Pesadelo
Senti abalos saídos de um vómito de horror
Enroscando-se em instantes convulsivos
E tingidos de vermelho
Farrapos pendiam de candeeiros surpreendentes
Que com nojo atirava para a sarjeta
Metade dos meus lábios estavam frios
Metade do meu peito atónico dormia profundamente
Metade de mim era uma distração
Uma incoerência convulsiva
Uma não forma suspensa
Num arrepio de luzes ferrosas
Flutuava sobre brilhos vomitados pelos meus olhos
Estremecia sinistramente
Era um poço inflamado
Uma abóbada de vapor
Uma imagem diabólica
Sufocando cada instante na água gelada.
Sei que milhares de lugares me esperam
Com raiva expiro trovões sem nome
Sobre noites titubeantes
E adormeço num palácio feito de ferros retorcidos
Depois...estendo as minhas mãos
Quero agarrar os crimes mais pesados
Atá-los em redor do meu corpo
Buscar as suas causas
Porque sou o expiador louco
Que raptou as sombras
Que as arrastou até ao caos
Que as levou pelas pedras soltas
Como se fossem odores de brincar
Ou ferozes olhares distraídos
A seguir descansei
Sentado sobre o nojo
Como se fosse um diabo gelado
Olhando as suas entranhas
Extraindo-se do próprio coração
Comendo a sua alma
Enquanto os meus olhos rolavam nas órbitas
Vestidos de uma incurável paz celestial...