Poemas de Natal - #4 - feliz Natal para todos
Os poemas de Natal que escrevo não podem falar de beleza, de luzes e de rabanadas, são dedos apontados a uma sociedade que escraviza, que destrói, que marginaliza. Por isso, é muito difícil para mim encontrar essa beleza da noite de Natal. Mas encontro-a na face e nos olhos dos deserdados, dos que sofrem nas ruas, dos que perderam a esperança. Acredito que um dia, alguém possuirá a força para acabar com a miséria que subsiste nesta sociedade a que chamamos da abundância.
Até lá, um Feliz Natal para todos
Noite de Natal
Lírio de esperança sorriso de cor
Fantástica nuvem leve de olhar
Noite de lata tempo de amar
Dentro de mim um fio a escoar
Obscuros homens estranhos passos
Baloiçam estrelas no seu cansaço
A noite é daqueles que dormem no vento
Que sofrem o frio que calam lamentos
Homens-imagem que ninguém vê
Avenidas sem rosto árvores sem caule
Como sopram na noite as angústias da brisa
O gelo do orvalho o rasgão na camisa
Noite sem forma rua transparente
Onde dorme o frio onde geme a dor
Antiquíssima noite celebração de vida
Flutua na luz a vida perdida
Noite das crianças noite de remar
Solidão de aves que querem voar
Plana o frio do mundo em bocas partidas
Quando a manhã vem regressam as vidas
As vidas iguais os sonhos em flor
As ruas nocturnas ganham calor
Não há mais caminhos que aqueles que estão
Cada um regressa à sua solidão.