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folhasdeluar

Poesia

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Poesia

Por alguma razão o tempo alisa o peso da memória

Por alguma razão o tempo alisa o peso da memória

E também o escuro peso da vergonha

É largo o céu que se fecha ao fim do dia

Ausência de tempo atacado pelo esquecimento

São longas as pálpebras que murcham nos corpos

E tão bonitos os suicidas das manhãs

Invento uma crença...quero ser uma suspensão de ar

Uma mirrada carne esbaforida

Mortal dia de onde brotam lagoas encurvadas

Onde poisam graciosos abutres enfastiados

Copa de árvore ausente da manhã

Culpa de ser mensageiro da imortalidade

Inventor de infinitos campos estrelados...imortal

Ser imortal é ser folha seca

Secura que paira numa ave encharcada de chuva límpida

Não há moscas...ninguém se estrangula

Todos pairam num tempo escuro...

Quem nos ataca de madrugada não se esquece de nós

Risos de morcego alado...lunar

Culpa que desaba de uma nuvem sem substância

Saltitar de encostas celestes

Afinal mesmo mirrados estamos vivos

Enterrámos o silêncio numa orgia milenar...lupanar

Caímos...e o baque do nosso corpo é um fragor fenomenal

Uma coisa triste...um charco

Algo que receamos...

Como aos insectos que nos estrangulam...completamente

Talvez a terra nos encerre num fogo latente

Lamparina vulcânica...profundo contemplar de nós

Mas onde iremos enterrar os ruídos?

Onde desabará a chuva cristalina?

Crosta decepada...costa marítima aflita

Sombra vertical...meio-dia estrangulado

Tombados numa letargia de assassino

Como troncos decepados...

Como sentenças embriagadas

Ou como cordas soluçantes

Balanço de mensagens gigantes

E nós dobrados sobre o medo

Escutamos apenas a fria mensagem pregada na parede

Foto em sépia de ancestrais rostos

Frias pálpebras cerradas pela sepultura

Ali estamos!

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