Portão de água
Na pálpebra penetrante dorme o azul longínquo
Margem feita de um dialecto estranho
Como um hibisco de tempo a desafiar o vazio.
Na planície de vento pássaros escorrem pela poeira
Rota de caravana plantada nos pés dos caminhos
Ali...uma sombra onde descansa o ventre do medo
Mais além...umas mãos sem idade.
É tarde...os punhos cerram-se numa palavra colossal
Dentro das mãos
Há uma alameda sem vontade de ver a noite
Dentro das mãos acordam várias perguntas
Como descer da varanda
Que dá para os dias sem idade?
Como enfeitar a pilastra de escolhos
Que floresce nas margens da luz?
Como beber a sombra açucarada
Dos meus destroços?
Na nítida noite uma sebe caminha pelo espaço branco
Avança para lá de todas as sombras
Onde alguém se mostra
Fechado... no interior de si mesmo.
Jardim fulminante
Portão de água...muro comovente
Talude que cresce no fumo do futuro
Deixa-me enroscar nesta brisa de veludo...e...
Adormecer como uma pedra redonda
De rosto voltado para a saturação do céu.